Pecuária de leite no Brasil gera baixa emissão de carbono em sistemas com árvores, comprova estudo da Embrapa

Estudo realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste destaca a importância do plantio de árvores como estratégia de compensação de emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na pecuária, visando a obtenção de leite carbono zero. A pesquisa avaliou diferentes sistemas de produção, intensivos e extensivos, e a interação entre raças de vacas holandesas e jersolandas. O balanço de carbono considerou as emissões de GEEs, incluindo metano entérico, e as remoções de GEEs pelo sequestro de carbono do solo.
Os resultados indicam que, nos sistemas intensivos, são necessárias 52 árvores por vaca para alcançar a neutralidade de carbono, enquanto nos extensivos essa quantidade é de 33 eucaliptos. A pesquisa também comparou a eficiência em termos de emissões entre as raças holandesas e jersolandas, concluindo que estas últimas demandam menos árvores para compensação.
A pecuária brasileira, realizada principalmente em pastagens, tem uma vantagem na redução das emissões e pegada ambiental. O sequestro de carbono do solo, positivo nos dois sistemas testados, contribui para a compensação das emissões, sendo a necessidade de árvores menor em comparação com outros sistemas de produção.
Outro benefício identificado na pesquisa foi o efeito poupa-terra (tecnologias adotadas pelo setor produtivo que permitem incrementos sustentáveis na produção total em uma mesma área, evitando a abertura de novas áreas para produção agropecuária)
Isso possibilita a preservação de áreas equivalentes a 2,64 hectares, favorecendo a biodiversidade e a manutenção de espécies nativas.
As árvores necessárias para mitigar a emissão foram calculadas considerando o balanço de carbono dentro da porteira da fazenda. A taxa de crescimento anual e o acúmulo do gás nos troncos dos eucaliptos foram obtidos em sistemas silvipastoris próximos ao local do experimento. Os resultados indicaram pegadas de carbono por litro de leite inferiores a 0,5 kg de CO2 para todos os tratamentos avaliados, demonstrando a viabilidade de práticas mais sustentáveis na pecuária leiteira.
Fonte: EMBRAPA